Até quando coxeareis entre dois pensamentos?

[Texto adaptado da mensagem]

A certa altura, na história do povo de Israel houve um domínio das trevas e muito engano. O rei Acabe não estava a cumprir bem o seu papel como regente, ele estava enfeitiçado. Tinha a coroa e tinha o dever de trazer a presença de Deus àquele lugar, mas os seus olhos estavam “tapados”, por isso, não conseguia governar.

Nessa época, Deus levantou um profeta que é referido várias vezes na Bíblia, tanto no Velho como Novo Testamento, inclusive no momento da transfiguração de Jesus no monte, este profeta foi Elias.

Malaquias 4:5-6, diz: «Eis que eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor; E ele converterá o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos a seus pais; para que eu não venha, e fira a terra com maldição.»

Estes (hoje) são os dias em que a palavra de Elias está a ser declarada.

Deus ministrou esta palavra, de uma forma muito forte, ao meu coração: «Então Elias se chegou a todo o povo, e disse: Até quando coxeareis entre dois pensamentos?», (1 Reis 18:21a).

Aqui o termo «povo» refere-se a Israel, mas refere-se também  à Igreja, a nós. Até quando vamos estar divididos entre dois mundos; entre dois pensamentos? Até quando? Deixa esta pergunta entrar no teu coração.

A segunda parte deste versículo é um dos trechos mais tristes que eu leio na Bíblia: «Se o Senhor é Deus, segui-o, e se Baal, segui-o. Porém o povo nada lhe respondeu.», (1 Reis 18:21b).

Até quando vamos estar divididos entre dois pensamentos? Até quando é que vamos estar divididos entre o Deus deste mundo e o Deus Altíssimo? Até quando? Esta pergunta não pode cair no silêncio.

Em maio, focamo-nos no profético. Uma das palavras usadas na Bíblia para «profeta», em Hebraico é «nabi», que significa «borbulhar» ou «transbordar.» Quando recebemos o Espírito Santo na nossa vida, nós transbordamos. Não é algo pontual, que ocorre uma única vez, mas é uma vivência, é um rio que flui.

Até quando coxeareis entre dois pensamentos?

Vamos meditar um pouco sobre o texto em 1 Reis 18:22-39:

22 Então disse Elias ao povo: Só eu fiquei por profeta do Senhor, e os profetas de Baal são quatrocentos e cinquenta homens. 23 Dêem-se-nos, pois, dois bezerros, e eles escolham para si um dos bezerros, e o dividam em pedaços, e o ponham sobre a lenha, porém não lhe coloquem fogo, e eu prepararei o outro bezerro, e o porei sobre a lenha, e não lhe colocarei fogo. 24 Então invocai o nome do vosso deus, e eu invocarei o nome do Senhor; e há de ser que o deus que responder por meio de fogo esse será Deus. E todo o povo respondeu, dizendo: É boa esta palavra.

25 E disse Elias aos profetas de Baal: Escolhei para vós um dos bezerros, e preparai-o primeiro, porque sois muitos, e invocai o nome do vosso deus, e não lhe ponhais fogo. 26 E tomaram o bezerro que lhes dera, e o prepararam; e invocaram o nome de Baal, desde a manhã até ao meio-dia, dizendo: Ah! Baal, responde-nos! Porém nem havia voz, nem quem respondesse; e saltavam sobre o altar que tinham feito. 27 E sucedeu que ao meio-dia Elias zombava deles e dizia: Clamai em altas vozes, porque ele é um deus; pode ser que esteja falando, ou que tenha alguma coisa que fazer, ou que intente alguma viagem; talvez esteja dormindo, e despertará. 28 E eles clamavam em altas vozes, e se retalhavam com facas e com lancetas, conforme ao seu costume, até derramarem sangue sobre si.
29 E sucedeu que, passado o meio-dia, profetizaram eles, até a hora de se oferecer o sacrifício da tarde; porém não houve voz, nem resposta, nem atenção alguma.
30 Então Elias disse a todo o povo: Chegai-vos a mim. E todo o povo se chegou a ele; e restaurou o altar do Senhor, que estava quebrado. 31 E Elias tomou doze pedras, conforme ao número das tribos dos filhos de Jacó, ao qual veio a palavra do Senhor, dizendo: Israel será o teu nome. 32 E com aquelas pedras edificou o altar em nome do Senhor; depois fez um rego em redor do altar, segundo a largura de duas medidas de semente. 33 Então armou a lenha, e dividiu o bezerro em pedaços, e o pôs sobre a lenha. 
34 
E disse: Enchei de água quatro cântaros, e derramai-a sobre o holocausto e sobre a lenha. E disse: Fazei-o segunda vez; e o fizeram segunda vez. Disse ainda: Fazei-o terceira vez; e o fizeram terceira vez; 35 De maneira que a água corria ao redor do altar; e até o rego ele encheu de água.

36 Sucedeu que, no momento de ser oferecido o sacrifício da tarde, o profeta Elias se aproximou, e disse: Ó Senhor Deus de Abraão, de Isaque e de Israel, manifeste-se hoje que tu és Deus em Israel, e que eu sou teu servo, e que conforme à tua palavra fiz todas estas coisas. 37 Responde-me, Senhor, responde-me, para que este povo conheça que tu és o Senhor Deus, e que tu fizeste voltar o seu coração.
38 Então caiu fogo do Senhor, e consumiu o holocausto, e a lenha, e as pedras, e o pó, e ainda lambeu a água que estava no rego. 39 O que vendo todo o povo, caíram sobre os seus rostos, e disseram: Só o Senhor é Deus! Só o Senhor é Deus!»

Durante quanto tempo vamos estar divididos entre dois caminhos?

Cada um de nós sabe quem é o seu deus. Quem é foco da nossa vida, a quem é que adoramos. Podemos dizer com a nossa boca que somos filhos de Deus e que O amamos, mas se as nossas ações contradizem as nossas palavras, se nos curvamos perante ídolos chamados televisão, vícios, emprego… quem é o nosso deus? O nosso deus não é o Deus Altíssimo, é uma caixa que nos envia informação, são as notícias, é a nossa família.

Temos de escolher qual é o nosso caminho, qual é o nosso deus. Durante quanto tempo coxearemos entre dois pensamentos? Quanto tempo é que vamos deixar que o deus deste mundo governe a nossa vida? Quanto tempo mais?

A primeira coisa que Elias fez foi edificar novamente o altar, edificar a ordem imposta pelo Senhor. A ordem divina. Quando Deus derrama a Sua bênção, a Sua palavra ou o Seu poder sobre a nossa vida, Ele requer sempre um sacrifício. Não é de uma forma leviana que chegamos à presença de Deus, temos de ofertar a nossa própria vida. Temos de dizer: «Deus, eu vou colocar-Te em primeiro lugar; eu vou dedicar a minha vida a esta verdade que é a Tua palavra. Eu não vou dedicar a minha vida a outra verdade, vou dedicar a minha vida a Ti, vou pôr a minha vida em ordem e não vou estar a coxear entre dois caminhos.»

Se tentarmos coxear entre dois caminhos, vai chegar a uma certa altura em que algo vai correr mal e vamos ficar muito magoados. Não podemos coxear entre dois caminhos. Temos de escolher entre estar com o Senhor ou não estar com o Senhor. Se queremos estar longe de Deus e ter outros deuses, sofreremos as consequências da nossa escolha. Mas se estamos com o Senhor, também teremos a consequência disso,  vamos ter a bênção do Espírito Santo.

É incrível o que Deus fez após Elias ter edificado o altar. Ao ver que havia um homem que buscava verdadeiramente a Sua presença, o que aconteceu? Deus derramou fogo sobre o altar. Elias tinha derramado água sobre o altar três vezes. Muitas vezes, na Bíblia, a água simboliza o Espírito Santo, mas Elias tinha encharcado aquele altar para que não houvesse qualquer dúvida de que era o Senhor a agir.

Muitas vezes tentamos incutir algumas ideias na nossa mente, tentamos mudar alguns aspetos da nossa vida, ao nosso jeito. Mas Deus não quer esses ‘jeitinhos’ humanos.

Já tentaram pegar fogo em lenha completamente encharcada? Eu já tentei fazer isso, e o resultado é muito fumo. O mesmo acontece quando tentamos mudar o altar de Deus com a nossa própria força e com o nosso ‘jeitinho’. Quando tentamos mudar as coisas do Senhor, Deus não aparece.

Nós temos que deixar o Espírito Santo encharcar a nossa vida, e não é pela nossa força, entendimento ou verdade, mas sim pela verdade de Deus. Deus derrama o Seu fogo quando nós edificamos o altar.

Quando falamos no mover profético, existem muitas especulações e, por vezes, até engano, como por exemplo ser considerado um mover produzido pela adivinhação. O mover profético é quando Deus revela a Sua palavra, e a sua palavra muitas vezes é uma palavra de correção para que voltemos ao Seu coração, e isto acontece porque Ele nos ama muito.

Eu creio que nesta passagem em 1 Reis 18, o desejo de Deus era que o Seu povo se levantasse e exclamasse: «Não! Nós não queremos estar aqui a coxear entre dois caminhos! Deus, tem misericórdia de nós!», mas eles ficaram em silêncio.

Hoje, Deus está a perguntar por mais quanto tempo vamos estar a coxear entre dois caminhos. Quanto tempo mais vamos andar a “brincar” aos “cristãozinhos” e às “igrejinhas”? Quanto tempo mais?

O desejo de Deus é falar com cada um de nós de uma forma pessoal, íntima, de uma forma que ninguém mais consegue falar. Deus deseja ter esse relacionamento contigo. Ele criou o homem segundo a Sua imagem e semelhança, para que diariamente tivesse tempo de comunhão e partilha de vida com Ele. Adão e Eva são o símbolo de toda a criação e do desejo que Deus tem para connosco, o desejo de derramar a Sua bênção sobre a nossa vida.

Mas, muitas vezes, temos outros deuses. Porque temos outros deuses? Porque ficamos cansados de esperar pela voz de Deus? Porque as coisas deste mundo são mais aliciantes? Porque é mais fácil, mais agradável, ou melhor aceite? Porque há uma vontade carnal à qual nos entregamos? Porque é que coxeamos entre duas verdades? Porquê?

Quando Deus nos criou, Ele criou um plano perfeito. Ele sabia que se nós cumpríssemos a Sua palavra, iríamos ser abençoados, iríamos ter abundância da vida do Seu espírito. Quando abrimos mão das nossa própria vontade, entregamos tudo à Sua vontade. Ele sabe o que preenche a nossa vida, Ele conhece perfeitamente a “maquete” da nossa vida. Mas, muitas vezes, tentamos preencher a nossa vida com coisas deste mundo.

Durante quanto tempo vamos andar a coxear entre dois mundos? Durante quanto tempo vamos estar a coxear entre dois deuses, entre o deus deste mundo e o Deus Altíssimo?

O nosso Deus é Santo. Ser santo é ser completamente separado e liberto de todos os embaraços. O nosso Deus é Santo e nós temos de ser santos. Temos de nos separar, de largar e de nos abster de tudo o que nos confunde, e olhar para a cruz. Temos de renunciar a nós próprios, aos nossos desejos e vontades, dizendo: «Não mais eu. Eu não quero seguir outros deuses, mas eu quero-te a ti, Jesus. Eu quero seguir-Te.»

Irmãos, por mais quanto tempo vamos coxear entre dois deuses? Entre dois senhores?

Podemos pensar em como Deus abençoou Abraão, mas chegou uma altura em que, mesmo debaixo da promessa de Deus, Abraão duvidou. Abraão agiu pela sua própria força e inteligência, e veio Ismael. Deus abençoou Ismael, mas esta não era a perfeita vontade de Deus, não era o filho da promessa.

Tantas vezes, recebemos a palavra do Senhor, recebemos a bênção de Deus, mas não temos paciência e confiança no Senhor, não temos fé, para esperar o cumprimento da Sua palavra. Ele só irá cumprir a Sua palavra quando nós estivermos prontos para receber esse cumprimento.

Abraão recebeu a promessa aos  75 anos, e só aos 100 anos é que ele recebeu o filho da promessa – 25 anos de processo – nos quais Abraão esteve a ser provado pelo fogo, esteve a ser provado para ver se realmente estava preparado para receber a promessa que Deus lhe tinha dado.

Muitas vezes, recebemos uma palavra profética de Deus sobre a nossa vida e, ao longo do processo, ao longo da nossa vida, deixamos-nos desviar por outros deuses, por outras ideias ou teorias. Começamos a servir a outros deuses, e o engano começa a entrar sorrateiramente na nossa vida e a roubar-nos, a saquear a nossa vida, desviando-nos do propósito de Deus para a nossa vida.

Durante quanto tempo vamos estar a coxear entre dois caminhos? Durante quanto tempo vamos estar a servir outros deuses?

Estas perguntas requerem uma resposta. Não podemos agir como o povo de Israel, ficar calados, mas devemos dizer: «Deus, tem misericórdia de mim, eu quero celebrar esta aliança contigo.»