Conhecemos em parte

Uma das maiores lições que devemos aprender na vida é reconhecermos as nossas limitações. Paulo exortou a igreja de Corinto para ter cuidado com as atitudes arrogantes em relação aos outros, tomadas por causa da nossa perceção e entendimento espiritual. Ele alertou que até mesmo a profecia pode ter falhas na sua exatidão e, portanto, devemos estar abertos à correção e instrução. Ser ensinável é uma marca de humildade e esta é a base da verdadeira espiritualidade. Alguns têm tomado a decisão de não estudar, ou aprender com outros, usando este versículo fora de contexto: “…A ciência incha…” (1 Coríntios 8:1). Ao fazê-lo, rejeitaram a verdade objetiva, substituindo-a por mera revelação subjetiva. O Dr. Craig Blaising, professor de Teologia no Seminário Teológico Batista do Sul, afirmou: “A antítese de espiritual não é académico. A antítese de espiritual é não espiritual”.

O contexto em que Paulo estava a exortar a igreja de Corinto a não se “incharem” era em relação a comerem comida oferecida aos ídolos. Parece ter havido um debate acalorado, na igreja, sobre a possível contaminação espiritual, abordando a ingestão de alimentos oferecidos aos ídolos, o poder que esses falsos deuses ou demónios tinham sobre aqueles que comiam os alimentos, e a proibição bíblica de idolatria. Estou certo de que os argumentos contra esta prática foram bastante razoáveis e até mesmo apoiados pelas Escrituras e dogmas da Igreja, mas faltava-lhes um “ingrediente” muito importante: o amor. O seu conhecimento sobre este assunto estava a ser usado como uma arma contra outros. Em vez de se edificarem uns aos outros, eles estavam a destruir-se.

O conhecimento que “incha” é o conhecimento que expressa uma atitude que diz: “eu sou mais santo do que tu”. É esta concentração, naquilo que é menos importante, que coloca aqueles que não compartilham das tuas convicções pessoais, fora do teu círculo íntimo. É um entendimento exagerado. É a aparência de sofisticação e inteligência, sem conteúdo e equilíbrio. 

Sir Francis Bacon, um filósofo e político Inglês do século XVI, tornou conhecida a frase “conhecimento é poder”. Os educadores têm utilizado positivamente esta frase para promover a educação para todos ao redor do mundo, mas outros têm distorcido o aumento do conhecimento para sua própria vantagem. Durante séculos, a hierarquia da Igreja manteve a Bíblia fora das mãos dos leigos. Ao manterem as pessoas ignorantes acerca das Escrituras, eles podiam facilmente controlá-las através das suas próprias interpretações e tradições. Um exemplo disto foi quando Galileu afirmou que a terra girava em torno do sol e não o sol em torno da terra. O tribunal da inquisição condenou Galileu como um herege, citando o versículo: “Homens galileus (que soava como Galileu), porque estais olhando para o céu?” (Atos 1:11).

A parte enganosa do conhecimento existe quando comparamos a experiência com o conhecimento. Paulo disse, no oitavo capítulo de 1 Coríntios, que amar a Deus é conhecer a Deus e ser conhecido por Ele. Nessa experiência de conhecer a Deus, reconhecemos que os ídolos não são nada para além de um pedaço de madeira ou um pedaço de metal, que não há vida neles e que eles não têm poder sobre nós. Saber que existe um só Deus não é suficiente. Sem a experiência de conhecer a Deus e ser cheio do Seu amor, podemo-nos tornar muito duros e preconceituosos para com aqueles que não partilham a nossa compreensão das coisas espirituais. Aqueles que conhecem a Deus estão cheios de amor pelos seus irmãos e irmãs e têm o cuidado de não destruir os mais fracos entre eles com as suas convicções pessoais. Lembra-te, nós só conhecemos em parte. Deus sabe tudo.

Escrituras Para Meditar
I Coríntios 13:9-10; 3:20; 8:1-13; Isaías 55:8-11; I João 3:2; Mateus 11:25; João 5:39

[Read the devotional «We Know In Part» in English.]

Devocional incluido na coleção 52 Devocionais.

Abençoe o ministério do Pr. James Reimer, adquirindo estes livros.

Similar Posts

  • ·

    Quem és tu realmente?

    Podemos trabalhar muito para colocarmos um título de Doutor à frente do nosso nome, ou pintar o nosso cabelo de azul, ou cobrir-mo-nos com tatuagens, mas a pergunta permanece:”Quem sou eu, realmente?”. Como “alma viva”, o homem procura a resposta à sua identidade nas profundezas da mente, das emoções e da vontade. Esta busca existencial termina com um “eu” no centro; Eu acho, eu sinto e eu quero. Não há outro lugar mais vulnerável e solitário. Não admira que o homem seja tão medroso e inseguro. Jesus veio, como o último Adão, para soprar em nós o Seu Espírito vivificante. Atenção, o Espírito de Cristo manifesta-se em dar, e não numa busca interior, ou auto-realização. O Seu Espírito é Amor. Não há medo no amor, pois o amor perfeito lança fora todo o medo (I João 4:18).

  • ·

    Visão

    Ao olhar para a declaração da visão de uma igreja, empresa ou organização, pode-se ter uma ideia do percurso a que essa entidade se propõe. A visão define a rota da progressão. Quando alguém caminha, olha para a frente e não para baixo, para os seus pés. Uma pessoa ou organização com uma visão sabe onde quer chegar. Com uma visão clara, pode ser estabelecida uma estratégia pela qual se realiza essa visão. As estratégias podem mudar, mas a visão deve permanecer como seu foco.

  • ·

    Estar certo

    Existe no homem o desejo de estar certo. Quando sentimos que estamos certos, sentimo-nos bem. Regras, leis e tradições são estabelecidas para que possamos avaliar a nossa retidão e a dos outros. Embora as regras e leis possam ser boas, na realidade ninguém as consegue cumprir na totalidade. Isto cria em nós a necessidade de nos justificarmos através de interpretações subjetivas e de nos compararmos com outros que sabemos ser menos retos, ou que não o querem ser. Esta forma de justiça humana é baseada em balanças onde o bem tenta equilibrar o mal.

  • ·

    Espera

    A espera não é para a inatividade, mas para nos mantermos ocupados em alcançar os perdidos com o Evangelho. É um tempo para fazer o bem e não desanimar. É importante considerar que todos nós, estamos a semear em todo o tempo. O que nós comemos, o que dizemos, os programas de televisão aos quais assistimos, os livros que lemos, o tempo gasto com a família e com os amigos, tudo vai produzir colheita no futuro, para o bem ou para o mal. Portanto, tem cuidado com o que semeias, pois será o pão que vais comer amanhã.