O Jogo da Culpa

Mais velho do que os jogos com bolas, ou até mesmo do que as damas ou o dominó, é o jogo da culpa. Os primeiros a jogarem este jogo foram Adão e Eva, quando ainda estavam no Jardim do Éden. O objetivo do jogo é evitar, a todo custo, ser responsabilizado. As regras do jogo são: quando algo corre mal, os jogadores devem descobrir a causa do problema e, sem assumir qualquer culpa, devem encontrar um culpado e acusá- -lo. Quando a culpa é atribuída, o culpado é desvalorizado aos olhos do acusador e torna-se admissível tratar essa pessoa como merece: ignorando-a, ofendendo-a, e, em casos extremos, com agressão física. Tudo isso deve ser feito sem que qualquer culpa seja atribuída ao acusador.

O problema com este jogo é que todos perdem. Quando Deus confrontou Adão sobre o seu ato evidente de desobediência, ele culpou a sua esposa e, de facto, culpou Deus por lha ter dado. Eva, por sua vez, culpou o Diabo (que agora é o favorito de muitos). O resultado final é que os três foram expulsos do Jardim. Os fariseus tentaram que Jesus jogasse este jogo com eles, quando trouxeram uma mulher apanhada no ato de adultério. Seria uma vitória fácil. Os fatos estavam lá. Ela era culpada. A mulher poderia ter dito que a culpa era do marido, porque ele nunca estava em casa e, por isso, ela sentia-se rejeitada. Ela podia ter culpado o seu amante dizendo que este a enganou e que a forçou, mas era a vez de Jesus jogar. Calmamente, Jesus começou a rabiscar na areia e, em seguida, disse a todos os jogadores: “Aquele que estiver sem pecado entre vós seja o primeiro a atirar a pedra” (João 8:7). O jogo terminou abruptamente, eles deixaram cair as suas pedras e foram embora.

O que Jesus estava a dizer é que ninguém está qualificado para jogar o jogo da culpa, porque todos pecaram. Não há jogadores inocentes, sem culpa. Sem mais ninguém a jogar, Jesus olhou para a mulher e não a condenou, mas disse-lhe para voltar para casa e não pecar mais. Robert Anthony disse: “Quando culpas os outros, tu desistes do teu poder de mudar”. Ao parar com este jogo de culpa, Jesus deu a esta mulher uma oportunidade de mudar a sua vida. Ela foi salva, daquilo que merecia, pelo perdão e misericórdia.

Culpar os outros é resultado da nossa necessidade de explicar o que causou um determinado problema. Este interesse pela causalidade ganha impulso de acordo com a tua necessidade de identidade. Quanto mais inseguro és, maior é a tendência de te comparares com os outros. Quanto mais alguém consegue subir na hierarquia social, mais controlo tem e mais importante se sente. Quando alguém é acusado/culpado, a sua autoestima diminui e fica numa posição de inferioridade diante dos outros, por isso evita a acusação a todo o custo. Quando o perigo se aproxima, a pessoa ataca. Quando ocorre um problema, acusa. É um mecanismo de autoproteção ativado por uma baixa autoestima.

Uma forma mais “espiritual” de culpar alguém pelos problemas da vida, tal como Eva fez, é responsabilizar o Diabo por esses problemas. Mesmo sendo o Diabo um inimigo formidável, e sendo necessário estar alerta para todos os seus caminhos tortuosos, nos Evangelhos é enfatizada a responsabilidade pessoal do crente em apropriar-se dos benefícios que tem em Cristo. Ao culparmos o Diabo, não nos responsabilizamos por aprender as lições espirituais que a adversidade traz e não crescemos à imagem e plenitude de Cristo. Ao assumires a responsabilidade pessoal, amadureces. Ao culpares os outros, estagnas. Então, não jogues mais o jogo da culpa.

Escrituras Para Meditar
Romanos 2:1; Génesis 3:11-13; Mateus 7:1-5; João 8:7

Devocional incluido na coleção 52 Devocionais.

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[Read the devotional «The Blame Game» in English.]

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